Segunda-feira, Março 16, 2009

razão de estado

primeiro
contaram uma história
sem contradições
sem derrotas
sem erros
sem nada

depois
estufaram os peitos
com as próprias palmas

e disseram que eu não existia

não quiseram que eu falasse
não deixaram que eu votasse
e trancaram o piano em meus dedos

agora
perseguem meus versos
com suas mãos répteis

Quinta-feira, Agosto 21, 2008

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mil senhas para acessar meu tédio

Quarta-feira, Abril 09, 2008

a página

desclareou-me a face
e o verso caiu-lhe em nuvens
fez-se serena a frase
e bem dita a dor

alteridade

não sou o que me imagina
o outro que há em mim
há muito se perdeu
e transformou-se em paisagem

felicidade

nas entrelinhas dos gestos
que escorregam da gente

pulsão

espreito, atrás do que de mim nem sei

silêncio e movimento

quando as palavras esvaem-se...

as crianças

chuva de sentidos

amizade

eco de quase-momento
intensão do verso

romântico

quantas vezes direi velhas cores
para não amarelar meu canto?

Sexta-feira, Junho 01, 2007

desvérbio

mais vale um pássaro voando que um imbecil sem tato.

Quinta-feira, Maio 24, 2007

requiem

o mundo acabou
antes que me conhecesse
que conta de mim desse
que em tudo imergisse
que me espalhasse e arvorecesse
e me entrelaçasse
de mim se separasse e assim me perdesse
e a mim nunca mais voltasse
para que o mundo que agora acaba não morresse.

Quarta-feira, Maio 23, 2007

infância

Vive intensa
desabrocha lenta
em tudo se afeta
se detalha
se exprime
e se inventa
toda língua
em todo silêncio.

meio e fim

Se ambiente é meio,
porque acabamos quando ele acaba?
Se é objeto,
por que não conseguimos dominá-lo dominando?

culpa e causa

Inúteis as flores e colibris,
que não causam Estados,
nem mercados,
nem entesouram sacrifícios.

utopia

dever ser
o que não é
e o que não pôde ter sido.